segunda-feira, 9 de março de 2015

Vitrine entrevista Adriane Lima







1) Quem é Adriane Lima?

Uma mulher encantada pela vida, sonhadora, mas que tem os pés no chão, que ama a liberdade e vive para um mundo pelo qual acredita.
Sempre fui considerada agregadora, como dizem meus amigos, gosto de festas, de gente perto, de amizade e alegria.
Mãe de Gabriel e Manuela, que são meus grandes prêmios desta vida!
Formada em Fonoaudiologia, profissão que deixei de exercer há 4 anos e hoje me dedico a arte (pintura) e a escrita.
Nasci em Presidente Venceslau mas moro em Campinas há 26 anos, portanto me considero Campineira!!!

2) Como foi seu ingresso no Portal do Poeta Brasileiro e na ANLPPB?

No ano de 2012, eu conheci os saraus mensais do Portal do Poeta Brasileiro,e, comecei a frequentá-lo todos os meses, com isso e com todo universo virtual, fui conhecendo vários poetas de Campinas e de todo Brasil.
Um dia conversando com Aline Romariz ela me fez o convite de participar da ANLPPB e aceitei com muita alegria e honra, desde o início, ter sido escolhida para o cargo de Diretora Social !!!

3) Como é conciliar a vida de mãe e poetisa?

Para mim, essa tarefa já está "resolvida" pois meus filhos já são grandes e esse cuidar deles hoje em dia é algo mais de amizade e olhar materno à distância e não interfere em nada em minha vida tanto de poetisa, quanto profissional.

4) Que momento mais lhe deu prazer nesta vida de escrever?
Difícil dizer porque são tantos momentos, tenho sempre um retorno tão satisfatório de minha poesia que seria injusta se citasse apenas um momento.
Desde que resolvi apresentar meus escritos nas redes sociais e em meu blog, todos os momentos são de prazer e retorno.

5) Fale-nos um pouco de sua página do facebook "Nas Asas da Vida".

Eu tenho um blog : A Asa Oculta da Borboleta há um bom tempo, onde coloco diariamente meus poemas, tendo meus fiéis seguidores e leitores, mas como o facebook acabou sendo um lugar onde as páginas individuais são sempre visitadas pela facilidade da mídia, criei lá Nas Asas da vida e os mesmos poemas que posto no blog, acabo colocando lá também.
6) Conte-nos sobre sua vida literária.
Já rabiscava desde a adolescencia e muitos amigos que moravam em outras cidades, diziam que minhas cartas já eram poéticas,
eu sempre gostei de escrever, mas eu sempre guardava meus escritos. Na época de faculdade comecei a mostrar às amigas e dali em diante todos passaram a saber que eu escrevia. Mas só quando surgiram as redes sociais (o antigo Orkut) foi que comecei a divulgar meus poemas e perceber o quanto as mulheres, principalmente, se viam neles e assim, tendo retorno e esse apoio, percebi que minha poesia não era mais só minha, muito embora eu acredite que tenho páginas internas que não querem ser lidas, mas escritas como um processo de elaboração pessoal.

7) Como você vê o ato de escrever atualmente?

Escrever para mim hoje em dia é ... Me desvendar, me fragmentar em outras, me virar do avesso é um ritual de liberdade.
Quando estou quieta é impossivel controlar os poemas, eu aprendi a ver poesia em tudo e quero espalhar isto ao meu redor.
Se passo um dia sem escrever, fico conversando com o poema até que possa "libertá-lo" no papel.

8) Sobre o mercado editorial, o que nos tem a dizer?

Acredito que nos dias atuais ele está bem facilitado, muitas editoras hoje em dia fazem livros sobre demanda, ou seja, você pode pedir quantos livros desejar. Mas aí depende do que se busca como escritor, um livro para mim tem que ter o feedback de um público de bons leitores. Não apenas fazer um livro para satisfazer o ego, mesmo sabendo que não conseguirá financeiramente ter de volta o que se investiu. Portanto acho que tudo é muito pessoal.


9) Como é ser diretora social da ANLPPB?

É uma tarefa prazeirosa, como já disse, sou festeira e agregadora, gosto dessa questão social, das trocas afetivas e sociais, do engajamento pessoal, e faço sempre com muito carinho as funções que me cabem para melhorar as interações entre os poetas nos nossos encontros e nos grupos.

10) O que você faz para divulgar seu trabalho?


Eu não me preocupo muito com essa questão de divulgação, acho que a poesia é captada por aqueles que têm sensibilidade e se veem nas entrelinhas dos poemas, o que mais me intriga são que meus poemas mais femininos e sobre a vida são os mais comentados e compartilhados nas redes sociais.
Além de meu blog, participo de Antologias, e já ganhei alguns concursos também.
Mas ainda não tenho um livro onde possa divulgar meu trabalho de forma individual.

11) Você segue algum ritual na hora de escrever seus poemas?

A inspiração vem quando menos espero e corro pegar papel, caneta, ou vou para o note, já escrevi em guardanapo estando em um bar, já corri estando na rua com medo de perder a inspiração. Acho mesmo que o verdadeiro poeta, compositor, escritor, tem que ter a inspiração da alma, não acredito na força de uma escrita elaborada, buscada em palavras difíceis e consultas em dicionários como tenho visto muito nas redes sociais!!
Eu consigo distinguir quem escreve com a alma !!!

12) Que autores você mais aprecia?


A mestra propulsora foi Clarice Lispector quando li, Perto do Coração Selvagem, mergulhei nos personagens, então, tive a certeza que queria escrever, que a escrita e a observação da vida me pertenciam, mesmo que eu não entendesse a vida.
Para mim a frase "Viver ultrapassa qualquer entendimento" soa até hoje como um mantra.
Poetas citaria: Pablo Neruda, sua obra e todos seus amores,
Fernando Pessoa, por ter crescido vendo minha mãe declamar os poemas dele. (sei alguns de cor).
Depos vieram outros: Mario Quintana, Cecíla Meireles (que lia muito também), Adélia Prado, que escreve com a alma e o coração de forma aberta e simples.
Dificil citar, seria injusta com muitos...Vinícius de Moraes, mestre Saravá... e todos seus sonetos !!!
Mais madura aprendi a amar e compreender a poesia de Hilda Hilst, tão densa e contemporânea, e tantos outros autores que a facilidade do mundo virtual nos deu.
Como Mia Couto, Olga Savary, Manoel de Barros, Fabricio Carpinejar, etc.

13) O que achas do trabalho da escola com a escrita dos alunos?


Sou fonoaudióloga e sempre orientei professoras a trabalhar na leitura /escrita, com poemas para pacientes com dislexia, a poesia de Cecília Meireles: Ou isso ou Aquilo foi um referencial muito grande em um projeto que participei e vi resultados.
O brincar com a melodia das palavras melhorava consideravelmente a dificuldade desses pacientes.
Portanto, acredito que o incentivo da poesia nas escolas seja um projeto maravilhoso.
14) Você acredita haver muitos poetas no futuro ?
Sou filha de uma professora de Português e Literatura, não tenho como não acreditar na poesia, seja ela do passado, do presente ou do futuro.
Aliás, nunca vi tantos poetas como atualmente, todo mundo percebeu que o mundo precisa dessa beleza mesmo que efêmera, chamada: Poesia.


15) Como você caiu na vida de poetar?

Nossa, nem sei dizer, minha mãe professora de Literatura me apresentou desde pequena Camões a Gregório de Mattos e me ensinou a gostar de poesia desde cedo.
Eu sempre gostei muito de ler, cresci entre os livros, e escrevia inúmeros diários, com o passar do tempo percebi que minha prosa era poética e assim, me dei conta de que estava fazendo poesia!!!


16) Como é a Adriane além do que vemos?

Vou responder com um trecho de um poema meu chamado : Sou

...  eu não sou difícil de entender e mais ainda de me ler não em versos, prosas ou frases soltas no ar
...sou fácil de entender pelo meu olhar, minha doce ironia em entrelinhas
ou através das melodias que tocam em meu celular
mulher romântica e até mesmo infantil, teimo suspirar ao ouvir Chico Buarque, ao ler Pessoa ou Rilke
 e quem me magoa, eu me distancio, não bato boca, não dou nem um piu...
e minha voz vai ficando embargada, por nervoso até dou gargalhada
mas eu sou fácil de ler... já de lidar nem tanto, preciso me sentir livre e presa ao mesmo tempo
...construo minha liberdade em espaços de felicidade, sorrio sempre, facilito para os desejos entrarem,
afastando os medos de seguir em frente
tropeço sim, e porque não? ... choro, muitas vezes de tristeza e de emoção
amo de verdade, com desejo e paixão, tenho asas e acolho sob elas os que hospedo no coração
sou mulher, sou várias, sou todas em uma só...depende de meu dia...
depende de teu olhar e da minha vontade de que você decifre-me....

17) Que projetos da ANLPPB mais deram a você gosto em participar?
Gostei imensamente do projeto Poesia no ônibus e gostaria de dar-lhe continuidade e espalhar poesia a todos que viajam após um dia de trabalho e assim enfeitar o cotidiano de nossa cidade.
O projeto Ondulações, onde o ano passado me permitiu trabalhar com crianças e idosos, fiquei encantada com o trabalho de nossa confrade Teresa Azevedo.
Tudo isso digo pela proximidade porque todos os projetos que possamos fazer para o crescimento na ANLPPB eu procuro participar.


18) O que vem por aí no VI Encontro do Portal do Poeta Brasileiro?

Ainda não saberia dizer, mas aguardem, porque garanto que vem muita coisa boa !!!
A cada encontro me surpreendo com o engajamento de vários poetas que, literalmente, "vestiram a camisa" do Portal do Poeta Brasileiro!!
Saem de suas cidades, interagem, trocam com o público, trocam com os demais poetas, se despem do ego, fato esse que, acredito ser o maior empecilho para o crescimento da poesia nos meios virtuais, vejo que esses poetas entenderam que é preciso vivenciar o poeta Vivo e criar laços !!!!

19) Que poema você nos apresentaria?
O desejo é feminino
Egoisticamente me adorno
desamarrei devagar os últimos laços
como quem se despe sem pressa
e se entrega ao amor verdadeiro


em meus ouvidos
teço palavras doces e de encantamento
salvo as preces e a companhia

é o instante onde escuto a eternidade
ao me doar, gerei amor
...grávida de mim, enchi-me de zelo

guardei lá dentro
medos, amores
sonhos e nostalgia
o ontem e o além dos dias

as minhas fases
hoje como a lua cheia
redondamente me dou voltas
habito-me por inteira

pela solidão me enamorei
ganhei tempo me querendo
libertando meus desejos
dissolvendo minhas fomes

grávida não pode passar vontades
eis a vantagem,
me alimentei do melhor de mim

do outro espero que me veja :
parindo a vida liquida
nesse mergulho sem fim


Adriane Lima
20) Deixe-nos uma mensagem.

Adélia Prado certa vez escreveu: "Erótica é a alma". Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios; erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.

Vivemos a era das emergências. De repente tudo tem conserto, tudo se resolve num piscar de olhos, há varinha de condão e tarja preta pra sanar dores do corpo, alma e coração. Como canta Nando Reis, "O mundo está ao contrário e ninguém reparou..." Desaprendemos a valorizar aquilo que é importante, o que é eterno, o que tem vocação de eternidade. E de tanto lustrar a carapaça, vivemos a "Síndrome da Maça do Amor": Brilhantes por fora e podres por dentro. O tempo tornou-se escasso, acreditamos que "perdemos tempo" quando lemos um livro inteiro, quando passamos horas com nossos filhos, quando oramos ou viajamos com a família. E nos iludimos achando que poderemos "segurar o tempo" cuidando da flacidez, esticando a pele, preenchendo espaços.
Cuide do interior. Erotize a alma. Enriqueça seu tempo com uma nova receita culinária, boas conversas, um curso de canto ou dança. Leia, medite, cultive um jardim. Sinta o sol no rosto e por um instante não se preocupe com o envelhecimento cutâneo. Alongue-se, experimente o prazer que seu corpo ainda pode lhe proporcionar. Não se ressinta das novas dores, da pouca agilidade, dos novos vincos. Descubra enfim que a alegria pode rejuvenescer mais que o botox. E não se esqueça: em vez de se concentrar no lustre da maçã, trate de aproveitar o sabor que ela ainda é capaz de proporcionar...

Fabíola Simões



Gosto de pensar no que nutre o universo feminino, creio que meus poemas mais visitados e comentados são os que falam desse universo tão simples e tão complexo. Assim como a boa poesia !!!
Encontrei esse texto outro dia em uma página do facebook e achei que ele diz muito do que penso !!!
Obrigada a todos que sempre viajam comigo em poesia !!!

Um comentário:

  1. Desde que conheci Adriane Lima nos Saraus do Portal do Poeta Brasileiro (coincidentemente também comecei em 2012), sou admiradora de sua Poesia. e vejo que, a cada dia, essa Poesia amadurece, evolui, fica ainda mais bonita, e me toca mais fundo a alma. Parabéns, Adriane Lima!

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